Como o pigmento da tatuagem chega aos linfonodos? Há perigo?
Por que parte do pigmento da tatuagem e da micropigmentação vai parar nos linfonodos, por que o laser os tinge ainda mais e se há risco comprovado à saúde.

Linfonodo tingido por pigmento de tatuagem

Linfonodo tingido por pigmento de tatuagem

Linfonodos com pigmento de tatuagem

Corte de linfonodo ao microscópio: aglomerados escuros de pigmento
Fotos de uma palestra do Professor Dr. Wolfgang Bäumler no simpósio do BfR em junho de 2013
Aviso: se você já tem uma tatuagem ou está pensando em fazer uma, não entre em pânico. Este artigo tem caráter informativo; não quero assustar ninguém.
Temos um fato cientificamente comprovado: parte do pigmento colocado na pele quando se faz uma tatuagem se acumula nos linfonodos com o tempo. Intrigante, não é?
Para esclarecer, proponho que vejamos os motivos pelos quais o pigmento vai parar nos linfonodos. Vamos lá!
Como o pigmento foi parar nos linfonodos, afinal?
Ele não fica “selado” na pele?
Acontece que não é bem assim. Quando o pigmento é colocado na pele, ele fica na derme, entre as fibras de colágeno, e é captado por macrófagos e fibroblastos. Isso impede que ele se espalhe.
Agora vejamos a reação do organismo. Para o corpo, pigmento = substância estranha da qual é preciso se livrar! Então, o sistema imunológico entra na luta contra ele.
Ele transporta as nanopartículas de pigmento pelo corpo, e é por isso que elas se acumulam nos linfonodos. Esse processo aparece com mais detalhes nas imagens abaixo:
Transporte passivo
O transporte passivo é quando o pigmento é eliminado do corpo pela corrente sanguínea ou pela linfa. Durante essa “viagem”, as menores partículas de pigmento se depositam nos linfonodos.
Transporte ativo
O transporte ativo do pigmento é feito pelo sistema imunológico. Ele envia suas células para combater a substância estranha, e elas “engolem” as pequenas partículas de pigmento. Depois, as células imunes chegam aos linfonodos, onde as nanopartículas de tinta se depositam.
Fonte da ilustração: https://www.nature.com/articles/s41598-017-11721-z#re. Adaptado por doctormikrukov.org
Em outras palavras, depois que a tatuagem é feita, as partículas de pigmento grandes e médias ficam na pele, enquanto as menores são eliminadas do organismo ou se depositam nos linfonodos.
O que o pulso faz com a partícula de pigmento
Aperte “Pulso” algumas vezes.
O pigmento fica na derme em aglomerados de partículas. O organismo não consegue eliminá-los sozinho: são grandes demais.
Esquema simplificado: os macrófagos levam embora os fragmentos pequenos; os grandes ficam e são recapturados pelas células — por isso a remoção exige várias sessões.
E a micropigmentação? Ela também tinge os linfonodos?
Quem tem micropigmentação tem mais sorte: os linfonodos ficarão menos tingidos. Acontece que, na micropigmentação, se coloca menos pigmento na pele. Por isso, menos partículas de tinta vão se depositar nos linfonodos — a cor do pigmento provavelmente será quase imperceptível.
Daí podemos tirar uma conclusão interessante...
No fundo, a micropigmentação ou a tatuagem é a parte do pigmento que o seu sistema imunológico não conseguiu eliminar do corpo.
Aliás, durante a remoção a laser os linfonodos ficam ainda mais tingidos! Quando tratamos o pigmento com laser, suas partículas se fragmentam em partículas menores. E é aí que o sistema imunológico entra de novo na luta.
Ele volta a eliminar do corpo o pigmento fragmentado: as partículas de tinta se depositam novamente nos linfonodos e os tingem.
A pergunta principal: pigmento nos linfonodos é perigoso?
Entendo que linfonodos pretos parecem, no mínimo, alarmantes. Mas não há motivo para se preocupar: não há nada de perigoso nisso — pelo menos, ainda não se conhecem casos que provem o contrário.
Mesmo que algum perigo venha a ser confirmado, a causa será a tinta usada e a sua composição — não o laser! O laser apenas fragmenta o pigmento em partículas pequenas, ajudando o sistema imunológico.
Perguntas frequentes
Pigmento de tatuagem nos linfonodos é perigoso?
Não há motivo para se preocupar: ainda não se conhecem casos que provem perigo. Mesmo que algum perigo venha a ser confirmado, a causa será a tinta usada e a sua composição, não o laser.
A remoção a laser tinge os linfonodos?
Sim, durante a remoção a laser os linfonodos ficam ainda mais tingidos. O laser fragmenta o pigmento em partículas menores, o sistema imunológico volta a eliminá-las, e parte delas se deposita de novo nos linfonodos.
A micropigmentação também tinge os linfonodos?
Sim, mas menos: na micropigmentação se coloca menos pigmento na pele, então menos partículas de tinta se depositam nos linfonodos, e a cor provavelmente será quase imperceptível.