O laser “assa” o pigmento da tatuagem e da micropigmentação?

O laser não “assa” o pigmento na pele. O que realmente retarda o clareamento — derme cicatricial ou laser fraco — e quando é preciso um laser de picossegundos.

cirurgião, PhD em Medicina, especialista em remoção a laser 3 min de leitura ·
O laser “assa” o pigmento da tatuagem e da micropigmentação?

Pegue 910,8 mg de pigmento. Coloque em uma assadeira forrada com papel-manteiga. Espere até que o pigmento se espalhe por igual.

Quando o pigmento estiver espalhado, leve a assadeira ao forno preaquecido a 180 °C por 60 nanossegundos e asse até ficar no ponto. Sirva com ervas picadas e o molho da sua preferência!

Absurdo? Também acho.

Quantas vezes já perguntaram a você sobre o pigmento “assado” na pele após o tratamento a laser? Quantas vezes você mesmo procurou a resposta para essa pergunta? E, o mais importante, como você imagina esse processo?

E agora é hora de dizer adeus às ilusões: não existe pigmento “assado”, “fundido” ou “selado” na pele!

O laser “assa” o pigmento da tatuagem e da micropigmentação?

As partículas de pigmento não derretem e não se juntam em grandes conglomerados como o Exterminador T-1000 (aliás, isso até facilitaria a remoção do pigmento).

Talvez, em algum momento, alguém tenha usado essa comparação figurada para simplificar uma explicação, mas agora vivo encontrando pessoas que levam ao pé da letra as palavras “assar” e “fundir”.

Antigamente, as pessoas explicavam os raios no céu como lanças de Zeus porque não conheciam a eletricidade. Mas vivemos no século XXI. A informação é extremamente acessível, e basta um esforço mínimo para entender praticamente qualquer questão.

Vou repetir mais uma vez: não existe “assar”, “fundir” nem “selar”. Existe uma exposição traumática ao laser que lesiona a pele, com ou sem queimaduras, o que leva a alterações graves na estrutura da derme e à formação de cicatrizes e, no fim das contas, dificulta a remoção do pigmento da pele.

Se a pele foi lesionada em procedimentos anteriores de remoção de micropigmentação ou tatuagem, ou já foi traumatizada durante a aplicação da tatuagem, essa pele é diferente da pele normal: a proporção entre as camadas da derme fica alterada, as fibras de colágeno ficam mais compactadas e a angioarquitetura dos plexos vasculares se modifica.

Tudo isso altera a fisiologia dessa área da pele e, no fim das contas, retarda o clareamento da pele mesmo após procedimentos feitos corretamente.

A segunda explicação para um clareamento mais lento é que o equipamento e o feixe de laser não são bons o suficiente para fragmentar o pigmento de forma eficaz nas fases finais do clareamento.

Se não houver razões fisiológicas ligadas à estrutura e à fisiologia da pele, a causa deve ser buscada em uma incompatibilidade entre as capacidades técnicas do sistema a laser e a tarefa.

De sessão para sessão, permanecem na pele partículas de pigmento cada vez menores em comparação com o ponto de partida, e cada sessão seguinte exige uma potência de pico cada vez maior para fragmentá-las adequadamente!

No início, basta aumentar a energia do pulso e a fluência (densidade de energia), mas, a partir de certo ponto, se o laser for fraco, ele simplesmente não tem capacidade técnica para fragmentar o pigmento, e o seu efeito sobre o clareamento será mínimo.

Nessa situação, vale encaminhar o paciente a uma clínica ou centro com equipamento a laser de nível superior para concluir o processo com sucesso. Para os casos especialmente resistentes, existem os lasers de picossegundos, com potência de pico do pulso ainda maior.

O que o pulso faz com a partícula de pigmento

Aperte “Pulso” algumas vezes.

O pigmento fica na derme em aglomerados de partículas. O organismo não consegue eliminá-los sozinho: são grandes demais.

Esquema simplificado: os macrófagos levam embora os fragmentos pequenos; os grandes ficam e são recapturados pelas células — por isso a remoção exige várias sessões.

Perguntas frequentes

O laser assa o pigmento na pele?

Não. Não existe pigmento “assado”, “fundido” ou “selado”. Existe exposição traumática ao laser, que lesiona a pele, altera a estrutura da derme e forma cicatrizes, o que dificulta a remoção.

Por que a tatuagem parou de clarear com o laser?

Há duas explicações: a pele lesionada em procedimentos anteriores, com a derme alterada, que retarda o clareamento, ou um laser fraco demais para fragmentar as partículas cada vez menores, que exigem potência de pico cada vez maior.

Quando é preciso um laser de picossegundos?

Quando o laser não tem capacidade técnica para fragmentar o pigmento nas fases finais, vale encaminhar o paciente a um centro com equipamento de nível superior. Para os casos especialmente resistentes, existem os lasers de picossegundos, com potência de pico ainda maior.

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