Por que o laser Nd:YAG é perigoso para os olhos?
Como o laser Nd:YAG ameaça os olhos: a luz de 400–1400 nm lesa a retina e a pele reflete parte do feixe. Como checar os óculos pelo comprimento de onda e OD.
Todo mundo sabe o que é um laser, mas poucos se dão conta de como ele pode ser perigoso para uma pessoa. Com uma frequência alarmante, eu me deparo com frases como “Para que tanto equipamento de proteção? É só um laser!” ou “É um feixe comum, sozinho não tem perigo nenhum!”.
De fato, é só um laser de classe 4, só queimaduras graves, só lesões sérias. Qual é o problema?
Nunca vou me cansar de repetir: a remoção a laser não é, de forma alguma, um trabalho simples; ela exige do especialista o máximo de responsabilidade. O objetivo do artigo de hoje é justamente alertar você para os possíveis riscos de trabalhar com um laser Nd:YAG. Como se diz, quem avisa amigo é!
Certo, mas como exatamente um laser pode causar danos?
Vamos começar com uma breve explicação de como funciona um aparelho a laser. Primeiro, ele emite uma onda eletromagnética de determinado comprimento (por exemplo, 532 ou 1064 nm) que carrega uma certa quantidade de energia. Essa energia que sai do laser penetra facilmente nos tecidos. Lá, ela se converte em calor e atua nas camadas internas da pele.
Agora imagine que esse feixe atinge não a pele, mas a região muito delicada dos olhos. Arrisque um palpite: quais poderiam ser as consequências?
Já adianto que estão longe de ser agradáveis. O olho humano é muito sensível e pode ser lesado por lasers na faixa visível e no infravermelho próximo. Além disso, os pulsos gerados por um laser danificam os olhos muito mais rápido do que o reflexo de piscar consegue agir!
A radiação visível e a do infravermelho próximo (comprimentos de onda de 400 a 1400 nm) é perigosa para a retina!
Outro fato desanimador: você pode lesar os olhos não só pelo impacto direto do feixe do laser, mas também pelo reflexo dele em vidros ou superfícies espelhadas.
Dá para ver isso claramente no esquema abaixo:
Daí podemos tirar a seguinte conclusão...
A sala de procedimentos não pode ter nenhuma superfície espelhada nem de vidro exposta.
Outro ponto é igualmente importante: a luz também se reflete em superfícies irregulares (ásperas)! Nesse caso, um feixe paralelo de luz se dispersa após a reflexão, e os raios são refletidos em diferentes direções.
Esse fenômeno se chama reflexão difusa, e também precisa ser levado em conta ao trabalhar com laser!
Como a reflexão difusa atua na remoção a laser?
Quando a pele é irradiada com laser, o feixe de luz não é totalmente absorvido por ela, porque uma pequena parte sempre é refletida! Assim, a pele pode refletir ≈ 5–7% da energia luminosa.
Ou seja, quando você trata a pele com um aparelho a laser, o feixe é parcialmente “devolvido” e atinge outros objetos, inclusive você!
Pode descartar logo frases como “Que mal podem fazer alguns por cento? É muito pouco e não vai afetar em nada a minha saúde!”. Acredite, vai afetar, sim.
Para ilustrar, um exemplo. Digamos que pegamos um laser Nd:YAG comum com as configurações mais comuns:
1.000 mJ
Definimos a energia nesse valor.
5 milímetros
Definimos o tamanho do feixe do laser.
10 nanossegundos
Definimos a duração do pulso do aparelho.
Um cálculo simples mostra que, mesmo com configurações básicas, a potência de pico do laser pode chegar a 100.000.000 watts!
Daí se conclui que os aparentemente minúsculos 5–7% na realidade se transformam em 5–7 milhões (!) de watts.
Não, não estou exagerando. E sim, é uma informação comprovada cientificamente.
Achou surpreendente? Então aqui vão mais alguns números. Em estudos recentes com um modelo de pele humana de 8 camadas, os cientistas concluíram que uma parcela significativa da energia do feixe do laser é refletida por ela. E aqui não estamos falando de 5 por cento, mas de números muito maiores!
55,5%
da energia do laser é refletida no comprimento de onda de 1064 nm
29,1%
é refletida no comprimento de onda de 532 nm
59,4%
é refletida pela pele no comprimento de onda de 755 nm
Dá o que pensar, não é? A remoção a laser já não parece um trabalho tão inofensivo e fácil. Vou reforçar mais uma vez: durante o procedimento, preste sempre atenção especial à região dos olhos, que pode ser facilmente lesada pela radiação potente.
Lembre-se: o especialista sempre tem uma grande responsabilidade, tanto consigo mesmo quanto com o paciente. Não dá para agir no esquema “tomara que dê certo”, porque na medicina isso nunca dá certo, acredite. E há muita coisa em jogo, inclusive a sua própria saúde.
Então, como proteger os olhos da radiação do laser?
Acho que você já sabe a resposta ;)
Com óculos, é claro! A pele das nossas pálpebras é muito fina e não protege o olho do feixe do laser. Por isso, os olhos precisam de óculos de proteção especiais, projetados para os parâmetros do aparelho que está sendo usado.
Esses óculos muitas vezes vêm junto com o laser, mas você precisa conferi-los antes de usar. Eles podem ser de alta qualidade ou simples “óculos de sol”, então é melhor não arriscar.
Para verificar a segurança dos seus óculos, observe dois parâmetros principais: o comprimento de onda e o valor de OD (densidade óptica).
Confira se o comprimento de onda correto está marcado nos óculos e se há um valor de OD indicado.

Valor de OD indicado e comprimento de onda marcado (pode haver várias faixas): 200–560 nm OD6, 740–1200 nm OD6
Perguntas frequentes
A despigmentação a laser é perigosa para os olhos?
Sim, sem proteção adequada: a luz visível e do infravermelho próximo (400–1400 nm) é perigosa para a retina, e os pulsos do laser lesam o olho mais rápido do que o reflexo de piscar consegue agir. A pele das pálpebras é fina e não protege o olho do feixe.
O reflexo do laser na pele pode atingir os olhos?
Sim. A pele sempre reflete uma parte do feixe, cerca de 5–7% da energia luminosa, e em estudos com um modelo de pele de 8 camadas a reflexão foi de 55,5% a 1064 nm, 29,1% a 532 nm e 59,4% a 755 nm. O feixe também se reflete em vidros e superfícies espelhadas.
Como escolher óculos de proteção para laser?
Os óculos devem ser projetados para os parâmetros do aparelho usado. Confira se o comprimento de onda correto está marcado e se há um valor de OD (densidade óptica) indicado, inclusive nos óculos que vêm com o laser.