Despigmentação química: o que são os removedores e como agem

Como remover micropigmentação sem laser: na despigmentação química, removedores ácidos, alcalinos ou salinos agravam o trauma da agulha e podem deixar cicatriz.

cirurgião, PhD em Medicina, especialista em remoção a laser 3 min de leitura ·

No mundo da micropigmentação, o termo “removedores químicos” soa impressionante, mas o que ele significa de fato?

Despigmentação química: o que são os removedores e como agem

Os removedores químicos não são uma novidade na indústria da beleza, mas o seu uso na micropigmentação continua envolto em mistério.
Muitos micropigmentadores os veem como uma solução mágica, capaz de corrigir qualquer problema de micropigmentação ou tatuagem malfeita. No entanto, é hora de desfazer esse mito: não há nada de mágico nos removedores químicos. São soluções químicas agressivas, que podem conter ácidos, álcalis ou soluções salinas, feitas para intensificar o trauma causado pela agulha do profissional.

O processo de despigmentação química com esses removedores combina trauma mecânico e trauma químico na pele. O trauma mecânico é causado pela agulha, de forma muito parecida com a técnica de aplicação da micropigmentação ou da tatuagem. Máquinas de tatuagem ou de micropigmentação são usadas para provocar o trauma na pele, permitindo que o removedor químico penetre no tecido.

Já o trauma químico está diretamente relacionado ao tipo de removedor químico utilizado — ácido, alcalino ou salino — e ao seu grau de agressividade. O espectro de impacto varia bastante: desde uma intensificação mínima, típica dos removedores químicos salinos, até os efeitos altamente agressivos dos ácidos, com pH de 1–2, ou dos removedores químicos alcalinos, com pH de 13–14.

Escala de pH
pHExemplo
0Bateria
1Suco gástrico
2Limão
3Vinagre
4Tomate
5Café
6Leite
7Água
8Sangue
9Bicarbonato de sódio
10Antiácidos
11Amônia
12Sabão
13Água sanitária
14Desentupidor

Da esquerda para a direita: ácido — neutro — alcalino.

Esse dano combinado à pele leva a uma destruição parcial do tecido, e as partículas de pigmento são expelidas junto com o tecido necrótico. A inflamação tem papel crucial nesse processo, pois atrai células do sistema imunológico para a área lesionada, que ajudam a eliminar ainda mais partículas de pigmento durante a resposta inflamatória.

Quanto mais agressivo o impacto na pele, mais forte a inflamação, e a tatuagem ou a micropigmentação é removida por meio de lesão e necrose do tecido. No entanto, os profissionais muitas vezes não percebem os perigos de usar removedores químicos sem entender plenamente a sua agressividade. Eles correm o risco de andar sobre uma linha tênue entre remover o pigmento e preservar a pele saudável, podendo causar danos graves e cicatrizes.

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Mesmo dentro de um grupo específico de removedores químicos, como os ácidos, há grande variação de agressividade, composição, concentração de ácido e nível de pH. Muitos profissionais não sabem qual é o pH do removedor químico que estão usando, o que leva a erros e complicações graves. A situação dos alcalinos é ainda pior — eles são mais difíceis de controlar e podem ter pH de até 13–14, comparável ao de um desentupidor de ralo. Os removedores alcalinos podem destruir o tecido por necrose de liquefação, o que torna difícil controlar a profundidade e a intensidade dos seus efeitos.

Despigmentação química: o que são os removedores e como agem

Concluindo: os removedores químicos não são soluções mágicas; são ferramentas que amplificam o trauma na pele na esperança de expelir o pigmento junto com o tecido necrótico e limpar a pele por meio da resposta inflamatória do sistema imunológico. Peço a todos os micropigmentadores que tratem os removedores químicos com a máxima cautela. Aprendam os mecanismos por trás dos seus efeitos, entendam a agressividade, as composições, as concentrações e os níveis de pH, e apliquem-nos com critério na prática.

Há outro artigo sobre este tema: Despigmentação química com removedores: mitos e realidade

Perguntas frequentes

Como remover micropigmentação sem laser?

Sem laser, usa-se a despigmentação química: a máquina de micropigmentação traumatiza a pele e o removedor ácido, alcalino ou salino penetra no tecido. O pigmento é expelido junto com o tecido necrótico, e o uso sem entender a agressividade do removedor pode causar danos graves e cicatrizes.

Qual é o pH dos removedores de micropigmentação?

Varia muito: os salinos dão uma intensificação mínima do trauma, os ácidos podem ter pH de 1–2 e os alcalinos, de 13–14, comparável ao de um desentupidor de ralo. Muitos profissionais não sabem o pH do removedor que usam.

Removedor alcalino é mais perigoso que o ácido?

Segundo o autor, a situação dos alcalinos é ainda pior: são mais difíceis de controlar e podem destruir o tecido por necrose de liquefação, o que dificulta controlar a profundidade e a intensidade do efeito.

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